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Fagner

Ele tem mais de quatro décadas de sucesso, musicou poemas, compôs trilhas e se aventurou com uma infinidade de ritmos, mas manteve-se fiel aos elementos nordestinos. Conheça Raimundo Fagner, os dos grandes nomes da música brasileira.

13/10/1949

Política

Fagner, sobre Aécio Neves

Sou amigo do Aécio há mais de 30 anos. Conheci antes de ele subir no palanque e ser político. Eu tenho uma ligação histórica com o PSDB, já fui filiado. No Ceará, a geração Tasso [Jereissati] era contra os coronéis e eu me engajei nisso. Viajei fazendo campanha, coloquei Tom Cavalcante no palco. Fiz amizade com muitos nomes do PSDB, entre eles o mais garoto era o Aécio. Então, fui como amigo e, com o estrago que está o PT hoje, tinha por obrigação apoiá-lo. Muita gente não entendeu. No aeroporto, me falaram “você é muito corajoso”, já outros que sabiam que eu sou nordestino me criticavam. Eu passei um mês no meio dessa briga dividida.

Legalização das drogas

Fagner

A vida é livre. Essas coisas de droga, eu não sou muito por dentro. Mas, vendo a violência do tráfico, acho que temos de achar outro caminho que não o da repressão. Tem muita gente presa por pouca coisa e muita gente solta por muita coisa. É praticamente um caos institucional que bate em todos os tipos de entendimento social. Temos de resolver de outra forma. Isso deveria entrar na pauta. Só não sei se há boa vontade política ou qualidade institucional para resolver isso.

Amizade

Fagner, sobre a amizade com Zé Ramalho

Nós somos amigos há muitos anos. Desde que eu estava na CBS, ele foi um dos artistas a começar a carreira por lá, como Elba [Ramalho] e Amelinha. Com o tempo, a gente começou a compor, ele me deu um grande sucesso, “Eternas Ondas”. Por conta desse histórico, ele veio aqui em casa [ambos moram no mesmo prédio, no Rio de Janeiro] para refletir sobre o que já fizemos e falou “Pô, vamos fazer um disco para concluir essa parceria”. É uma interação da obra de um com o outro: a reunião de dois caras que estão resistindo esse tempo todo, que têm discografias fortes, públicos muito grandes. É a coisa nordestina, de uma geração inteira.