Mensagens Com Amor Menu Search Close Angle Birthday Cake Asterisk Spotify Play PPS Book Download Heart Share Whatsapp Facebook Twitter Pinterest Instagram YouTube Up

Marta

Com a bola nos pés, ela consegue tudo! Marta Vieira da Silva conquistou o título de melhor futebolista do mundo, por cinco vezes consecutivas, devido ao seu talento e determinação. Conheça o pensamento da rainha do futebol e embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres!

19/02/1986
... continue lendo

Família

Marta Vieira da Silva

Minha família é muito humilde mesmo. Somos em quatro irmãos, dois meninos e duas meninas, eu sou a mais nova. Como meu pai se separou da minha mãe quando eu tinha 1 ano, meu irmão mais velho teve que trabalhar desde cedo. Aos 14, já ajudava no sustento da família. Minha mãe trabalhava como zeladora da prefeitura. Quem nos ajudava era minha avó, mãe do meu pai, que morava perto. Porque o que a minha mãe ganhava não dava nem para comprar os alimentos.

Trabalhar para ONU Mulheres

Marta Vieira da Silva

Estou totalmente comprometida em trabalhar com a ONU Mulheres para garantir que mulheres e meninas em todo o mundo tenham as mesmas oportunidades que homens e meninos têm para realizar seu potencial. Eu sei, a partir da minha experiência de vida, que o esporte é uma ferramenta fantástica para o empoderamento.

Como tudo começou...

Marta Vieira da Silva

Como a minha mãe trabalhava demais, eu ficava bastante na casa da minha avó. E foi ali que surgiu a vontade de jogar bola. Sempre via os meus primos jogando, eram muitos. E, como eu nunca fui muito de brincar de boneca, acabei indo na deles. Desde os 6, 7 anos eu já jogava com eles.

Sonhos traçados

Marta Vieira da Silva

Com o tempo, percebi que aquilo podia ser uma saída para uma vida melhor, para outra condição financeira. Minha família tem tradição no futebol lá na cidade, a gente tinha até um time. E eu sempre acompanhava meus primos mais velhos. Aquilo foi traçando um sonho na minha cabeça. Desde muito pequena, queria ser uma atleta profissional.

Time amador

Marta Vieira da Silva

A gente tinha um time no colégio e eu era a única menina. E dois, três dias na semana a gente treinava de madrugada. Havia um acordo, quem acordasse primeiro saía batendo na porta dos outros.

Futebol

Marta Vieira da Silva

Aos 14 anos, quando vim para o Rio. Eu tinha muitos primos que jogavam bola – e até hoje jogam. Com isso, vivia viajando com eles pela região, assistindo a campeonatos. Até houve alguns projetos de futebol feminino, mas nenhum durou mais que um ano. Então eu jogava com os meninos mesmo. Jogava nos campeonatos entre escolas.

Infância

Marta Vieira da Silva

Ao mesmo tempo em que a minha infância foi dura, foi também muito livre para brincar, para me aventurar. Posso dizer com certeza que tive uma infância feliz, apesar das dificuldades.

Apoio

Marta Vieira da Silva

O treinador ficava do meu lado, brigava com todo mundo para que eu pudesse jogar. Muitas vezes comprou o material para mim. O professor Júlio, o apelido é Tota, foi muito importante na minha vida.

Deslumbrada

Marta Vieira da Silva

Nunca tinha ido longe da minha cidade. Ficava olhando pela janela do ônibus as cidadezinhas que passavam. Quando cheguei ao Rio fiquei deslumbrada, aquela cidade enorme. Fiquei mais ou menos uma semana à espera do teste, morando na casa do Marco.

 

Saudade e adaptação

Marta Vieira da Silva

Tentei me manter o mais forte possível para encarar a saudade, a vontade de estar junto da família, dos amigos. Foi complicado. Nada é fácil. E, na minha idade, ter de deixar tudo... Fui ficando e as coisas foram melhorando.

Quase sueca

Marta Vieira da Silva

Eu tive a sorte e o privilégio de encontrar pessoas maravilhosas que me auxiliavam em tudo que precisava. Não foi tão dura a minha chegada à Suécia. Depois fui aprendendo a língua, aprendi a me virar sozinha, aí ficou fácil.

Realidade do futebol feminino

Marta Vieira da Silva

Quando fui jogar na Suécia ganhava em torno de R$ 3 mil. Tendo que ajudar a minha família, não sobrava muito. As pessoas acham que o contrato das jogadoras que se destacam chega perto do contrato de um Neymar, mas isso é fora da realidade do futebol feminino.

Ser mãe

Marta Vieira da Silva

Mudou um pouco essa minha vontade, antes era muito mais forte. Hoje eu tenho, mas não é tão forte. Acho que é porque tenho meus sobrinhos, que para mim é como se fossem meus filhos.

Mulheres podem, sim!

Marta Vieira da Silva

Em todo o mundo, hoje, as mulheres estão demonstrando que podem ter sucesso em papéis e posições anteriormente mantidas para os homens. A participação das mulheres no esporte e na atividade física não é exceção.

Preconceito

Marta Vieira da Silva

Me chamavam de mulher-macho. Muito preconceito. Cidade do interior, todo mundo te conhece. E naquela época meninas nunca jogavam bola. Jogavam handebol, vôlei, qualquer outra coisa. Eu era a única na cidade que gostava de jogar futebol. Aquilo era absurdo para os moradores.

Partindo de Dois Riachos

Marta Vieira da Silva

Depois de alguns anos jogando em campeonatos locais, apareceu um treinador que ameaçou tirar o time dele do campo se eu continuasse fazendo parte. Daí fui obrigada a parar. Estava com 13 anos. Mas o coordenador, o Marco Pires, o Marcão, resolveu me trazer para o Rio de Janeiro para fazer testes em times femininos. Minha mãe não queria e só acreditou que eu partiria quando eu subi no ônibus.

Uma menina num time masculino

Marta Vieira da Silva

Era bem complicado. Eu precisava arrumar um banheiro ou um quartinho para me trocar. E só ia para o vestiário quando o treinador chamava. Mas eu gostava tanto daquilo que tinha determinação, conseguia lidar com a situação. Isso nunca foi algo que pudesse me parar.

Convite para o time sueco

Marta Vieira da Silva

Os diretores me viram no campo, mas não falaram nada comigo. Em janeiro de 2004, o time do Umeå IK entrou em contato e fez uma proposta para eu jogar na Suécia. A princípio eu nem liguei. Dizia para os meus amigos: “Nem sei onde fica a Suécia. Estão de brincadeira”. Mas não estavam. Continuaram insistindo durante uma semana, ligando para a diretora do time em que eu jogava em Belo Horizonte, o Santa Cruz.

Vasco

Marta Vieira da Silva

O Vasco possuía duas equipes, a adulta feminina, onde jogavam Cici, Pretinha, Rosely, as titulares da seleção. E tinha a categoria sub-17, onde comecei a treinar. Mas, nesse mesmo ano, a Confederação Brasileira montou uma seleção sub-19 para disputar o primeiro campeonato sub-19 no Canadá. Eu estava com 14 anos. Mesmo assim disputei o Brasileiro pelo Vasco. Ganhamos o campeonato e fui eleita a melhor jogadora.

Jogadora revelação

Marta Vieira da Silva

Quando joguei o Campeonato Brasileiro, o Vasco foi campeão e fui eleita jogadora revelação. Então acabei convocada para a seleção sub-19. E já comecei a treinar para o Mundial, que seria em 2002. Nesse meio-tempo fui convocada para a seleção adulta também. Aí eu ficava entre a sub-19 e a seleção adulta.

Esperança

Marta Vieira da Silva

A minha ida para a Suécia foi a esperança de poder dar continuidade ao que eu queria: jogar numa liga estruturada, ter oportunidade de me mostrar ao mundo. A Suécia estava me dando essa oportunidade. Encarei dessa forma. Porém, quando cheguei lá, vindo de uma região tão quente quanto o Nordeste, foi um choque. Quando o avião aterrissou e eu olhei para o lado: só neve. Falei para mim mesma: “Caraca, onde é que eu estou?”.

Jeitinho brasileiro

Marta Vieira da Silva

O futebol na Suécia é muito físico. Quando eu cheguei, então, era muito contato, muita correria. As atletas tentavam fazer tudo que o treinador pedia, tudo certinho. Tentei emplacar o nosso jeito brasileiro de jogar. É lógico que a gente segue o plano passado pelo treinador, temos um sistema tático e ofensivo. Mas o brasileiro tem essa facilidade de improvisar. Acho que consegui emplacar algumas coisas. Hoje acho que há uma coisa mais descontraída, um negócio mais natural, não tão forçado. As meninas hoje jogam de uma forma mais elegante, um futebol mais vistoso.