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Mallu Magalhães

A jovem cantora começou a fazer sucesso na internet e logo conquistou o país. Atualmente, Mallu tem um relacionamento com Marcelo Camelo e faz parte da Banda do Mar. Conheça mais sobre a dona de uma bela voz.

22/08/1992

Adolescência

Mallu Magalhães

Eu perdi tudo o que uma pessoa de 16 anos podia querer – a aceitação, a adoração, o elogio... Como perdi tudo isso numa escala nacional, em público e na televisão, consecutivas vezes, eu cresci sem isso. Eu não me apeguei à minha imagem, nem a elogios, a aceitação. Eu tive que sobreviver. E, na época, também briguei com meus pais, já não tinha uma relação familiar. E já não ia à aula, não tinha colega de escola. Estava tudo ao contrário.

Família

Mallu Magalhães

Eu tive uma infância linda, ótima, encantadora. Meus pais trabalhavam muito, mas a gente se via à noite, no fim de semana, ia pra represa. Sempre fui muito ligada à minha irmã. Lógico, a gente brigava de se estapear, até uns 10 ou 12 anos, como qualquer criança. Mas a gente sempre foi muito unida. Minha família sempre foi ótima. Só que, com 15 anos, imagino que seja natural você questionar o seu filho, que é uma pós-criança, se aquilo é real, se aquilo é necessário. Como saber que aquilo não vai prejudicar aquela coisinha que você ama tanto?

Como tudo começou...

Mallu Magalhães

Quando eu comecei a tocar, naquele começo em que eles ainda nem diziam nada, eu parei de acompanhar a escola como acompanhava. Até ali, eu era super-CDF, estudava tudo direitinho e tal. Mas a música pegou bem aquele início do ensino médio, que é superdifícil pra qualquer pessoa. Imagina, eu estava viajando muito, sem nenhuma constância na escola. Eu tinha que sair no meio da aula pra gravar um programa. E meu pai falava: “Isso está errado, você não pode sair da aula pra gravar um programa, a aula é muito mais importante”. Ele tem razão. Mas aconteceu mais cedo pra mim e pronto, foi assim que foi. Fui dando meu jeitinho, mas não soube me expressar, brigava.

Distanciamento com a família

Mallu Magalhães

O jeito que eu dei foi dizendo: “Vocês estão indo contra mim, então eu não vou consultar mais vocês, vou fazer as coisas do jeito que eu quero”. E eles acabaram ficando sem reação – porque, a essa altura, eu já tinha 16 anos, já tinha força e até dinheiro. Já conseguia ficar sozinha. Ficou um desconforto, uma coisa esquisita durante um tempo. Eu comecei a namorar o Marcelo, aos pouquinhos eles foram conhecendo ele. Depois de um tempo, tudo se resolveu e hoje somos de novo muito unidos, como era antes, mas foi bem quando eu mais precisava que eu não tive. Não é culpa deles, acho até que seja minha. Pode até ser triste, mas eu sinto que essa falta deles me fez forte, independente. Eu fico sozinha, fico bem. Não que eu goste, não gosto de ser sozinha. Mas, se eu ficar, eu me garanto.

Arrependimento com os pais

Mallu Magalhães

Se eu pudesse, teria brigado menos com os meus pais. A época da adolescência é difícil para qualquer um. Não é fácil lidar com a exposição que eu lidei. Se eu pudesse, gostaria de ter percebido mais cedo que eles gostam de mim. Passei um tempo pensando que eles me achavam um lixo porque me davam bronca e diziam que eu estava fazendo tudo errado. Mas eles estavam falando tudo aquilo porque me amam. Demorei uns dois anos com esses pensamentos. Foram dois anos perdidos no nosso relacionamento.

A exposição e reação

Mallu Magalhães

Todo mundo que tem uma primeira exposição sofre isso que eu sofri. No começo, fica todo mundo atento, muita gente apreensiva querendo saber o que você vai dizer, o que vai fazer. Você vira o centro das atenções. E depois você não é mais. Então, todo aquele assunto que é fruto da novidade não existe mais. E sobra você, os seus assuntos. E o público tem uma necessidade de reação. O ser humano é reativo, a gente reage às coisas. A felicidade é um lance inventado. Tudo isso é inventado. Então, a gente vê uma coisa e quer reagir. É normal que depois de um sucesso tenha uma reação.

Os artistas e as pochetes

Mallu Magalhães

Em certas épocas, as pessoas estão gostando mais de certo tipo de música, consequentemente daquele tipo de pessoa. E a gente, como artista, é a personificação desses gostos. Por isso é natural que depositem na Mallu, no Marcelo, no Jorge Ben e no Caetano Veloso os ideais e as coisas que aquele trabalho representa. Que nem moda: tem épocas em que as pessoas vestem uma coisa, épocas em que fica ridículo. A pochete já foi incrível, a pochete já foi odiada, a pochete já foi um clássico. Coitada, ela é só uma pochete. O artista é meio uma pochete: ele às vezes é incrível, às vezes é mais ou menos... Mas tenho sentido que as pessoas estão me aceitando mais. E me conhecendo mais. Descobriram que sou uma artista legítima. É um trabalho duro, do dia a dia, de cada música, de cada desenho, de cada entrevista.