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Zeca Camargo

Entrevistar alguém é quase que uma arte e poucos conseguem dominá-la, mas o jornalista Zeca Camargo é um mestre! Descubra mais sobre suas maiores entrevistas e também seus maiores deslizes.

08/04/1963
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Aniversário

Zeca Camargo

Uma pergunta, tantas respostas... A mais imediata é: estou rindo porque hoje é meu aniversário - e eu sou daqueles que comemoram bem a data, que gosta de receber parabéns, que celebra cada ano que chega. No caso, o quinquagésimo-segundo!

Sonhos

Zeca Camargo

Difícil de contar sem medo de ser ridicularizado! Mas vamos lá, estou aqui para isso! Sem mais rodeios: eu quero gravar um disco! Sim, pode começar a rir de mim.

Admiração e trabalho

Zeca Camargo

Na verdade, eu aprendi isso rapidinho. Ainda quando eu estava na MTV, o Michel Stipe, do R.E.M., me deu a maior lição sobre isso. Eu o estava entrevistando e, superfã, viajei legal durante a entrevista, algo do tipo "Nossa, eu não acredito que estou entrevistando o Michael Stipe". Quando isso acontece, o cara percebe imediatamente e aí fica complicado. Lembro que ele me fez uma pergunta e eu não tinha como responder. Ele sacou que eu estava viajando e encerrou a entrevista na mesma hora. Não pode ser tiete durante a entrevista. Depois, você até pode pedir para tirar uma foto, comentar sobre as faixas do disco...

Entrevistar famosos

Zeca Camargo

Eu encaro como um desafio pessoal. O barato é você tentar avançar nessa pauta básica. Eventualmente, a gente consegue. Um dos casos foi com o Elton John, logo depois da morte de dois grandes amigos dele, a Lady Di e o Versace. De cara, a assessora de imprensa pediu para eu não tocar nesse assunto sob pena de interromper a entrevista na hora. De alguma maneira, eu consegui reverter o jogo e ele, espontaneamente, falou sobre o assunto. Já a Madonna é "impenetrável". A pauta é super-restrita. Até tentei furar, mas sem sucesso. O segredo é você ganhar a confiança do entrevistado.

Desejos

Zeca Camargo

A Courtney Love falou comigo sobre o Kurt Cobain, mas não foi a fundo no assunto. Mas eu adoraria ir adiante e perguntar: "Como foram os últimos dias de Kurt?"

Famosos

Zeca Camargo

Escrever sobre uma banda é muito complicado quando você tem uma legião de fãs doentes. Se você não fala o que eles estão esperando, está ferrado. A minha saída com o Renato Russo foi interferir muito pouco na entrevista e na edição final. Ele conduziu a entrevista. Falou de amores, de política, da maneira que ele quis. Naquela época ainda não tinha internet. Hoje em dia, sinto muito mais isso. A comunicação instantânea. Sempre tem gente que reclama, invariavelmente.

Ídolos

Zeca Camargo

Falando em ídolos, tem o Prince, que não rola nunca. Já tentei várias vezes. Ele é muito recluso. Estou quase perdendo as esperanças.

Pop Music

Zeca Camargo

A mais misturada possível. No livro, eu tento passar a idéia de que o pop é muito mais do que o clichê que toca no rádio. Pop é aquela música instantânea, que alguém fez e que imediatamente você começa a cantarolar. Esse é o bom pop.

 

Sucesso

Zeca Camargo

O sucesso depende de você manter sempre a intenção (quase ingênua) de ser sempre original no que você está fazendo. É perguntar sempre: já vi isso aqui apresentado dessa maneira antes? E, se a resposta for "sim", fazer uma outra pergunta: então, como eu posso fazer diferente?

Vídeo Show

Zeca Camargo

O equilíbrio entre a credibilidade herdada do jornalismo e a espontaneidade que um programa de variedades pede foi conquistado aos poucos, e já com o programa no ar – o que é natural para um programa diário. Seis meses depois, acredito que já estamos mais perto desse ideal de apresentação.

Entrevista mais marcante

Zeca Camargo

Sem dúvida, a com Paul McCartney, no final de outubro de 2010. O fato de eu ter tido a chance de ficar frente a frente com um Beatle – e esse Beatle ser o Paul McCartney – já deixaria qualquer um nervoso. Mas como alguém que sempre gostou de música pop, também me sentia confortável para conversar com ele. O que me deixou nervoso mesmo foi a expectativa dos fãs com relação à entrevista. Eu estaria ali, representando milhões de fãs brasileiros que gostariam de viver essa experiência. Não poderia "falhar". Felizmente, pela elegância e profissionalismo de Sir Paul, tudo transcorreu sem problemas – e a matéria, exibida no Fantástico, foi muito bem recebida.

Rotina

Zeca Camargo

Nada me dá mais prazer do que ter ideias. E a melhor maneira de trabalhar isso é observar tudo a minha volta. Devoro tudo que é cultura pop – a começar pela TV, mas também livros, revistas, sites, música, cinema, shows. E disso faço minha matéria-prima. Agora, se você vai me perguntar como eu acho tempo para isso, aí realmente eu não saberia te responder.

Erros de julgamento

Zeca Camargo

A morte de Cristiano Araújo e a quase insana cobertura de sua despedida vestiu a carapuça de um contorno de linhas pretas num papel branco, só esperando a tinta das emoções das pessoas para ganhar cor e, quem sabe, significado.

Como robôs coloristas preenchemos aqueles desenhos na ilusão de que estamos criando alguma coisa. Assim como ao nos mostrarmos abalados com a ausência de Cristiano, acreditamos estar comovidos pela perda de um grande ídolo. Todos sabemos que não é bem assim. Talvez o cantor tenha morrido cedo demais para provar que tinha potencial para se tornar uma paixão nacional.

Nossa canção popular é hoje dominada por revelações de uma música só, que se entregam a uma alucinada agenda de shows para gerar um bom dinheiro antes que a faísca desse sucesso singular apague sem deixar uma chama mais duradoura.

Fatos

Zeca Camargo

Eu sei que vocês estão falando e é sobre uma suposição. Falar sobre suposição é ajudar a espalhar o boato. Eu, como jornalista, respeito meu entrevistado e não falo sobre boatos, só sobre fatos.

Dois lados da história

Zeca Camargo

Enquanto escrevo isto, sou procurado por várias mídias para dar “meu lado da história” - como se a própria crônica que escrevi não fosse, hum, o meu lado da história - e saber "como estou recebendo a polêmica". Como diria aquele meme adorável com o pinscher: "Gente, qual a necessidade disso?". Mas, imagino, no vácuo cultural que estamos - e que tantos colunistas ajudam a corroborar - um embate entre fãs sensíveis e uma opinião que eles chama que é contrária a deles (apesar de o texto original claramente exaltar as qualidades - e as "promessas interrompidas" - do ídolo em questão) torna-se o grande tema da semana. Ou pelo menos do começo dela. Estamos mesmo sem assunto…

Morte de Cristiano Araújo

Zeca Camargo

O que realmente surpreende neste evento triste da semana foi a comoção nacional. De uma hora para outra, fãs e pessoas que não faziam ideia de quem era Cristiano Araújo partiram para o abraço coletivo (…).

Teatro

Zeca Camargo

A única coisa que vale a pena ver na Broadway, em Nova York, é um musical chamado "The drowsy chaperone". Não vi tudo que está em cartaz, é verdade. Mas o resto deve ser uma bobagem. Ou, colocando melhor, nada pode ser tão inventivo como esse musical. Estamos falando de musicais, veja bem. Da Broadway. Dentro deste universo, nada atualmente é mais original.

Exagero da mídia?

Zeca Camargo

É só lembrar as despedidas de Cazuza, Ayrton Senna, Kurt Cobain, Lady Diana, Michael Jackson, Mamonas Assassinas. Mas Cristiano Araújo? Sim. Eles sim eram, guardadas as proporções, ídolos de grande alcance. Como fomos, então, capazes de nos seduzir emocionalmente por uma figura relativamente desconhecida?

Explicações

Zeca Camargo

Fui convidado recentemente pelo "Jornal das 10" (Globo News) a fazer uma crônica sobre o triste evento e, no lugar de repetir os pêsames - que já faziam parte do inconsciente coletivo nacional àquela altura (a crônica foi ao ar no sábado passado) - e cair no lugar-comum de tantas coberturas, optei por olhar à distância não a dor legítima dos fãs, que estava lá muito presente, mas o sofrimento "por tabela" de tantas e tantas pessoas que conheciam o cantor apenas marginalmente (se tanto) e que, num significativo movimento de massa, "pegaram carona" no sentimento genuíno de quem o seguia desde o início humilde.

Ídolos nacionais

Zeca Camargo

A provocação, claro, era para os "não fãs" - as pessoas que de uma hora para outra cobriram-se no véu do pesar simplesmente porque, na falta de um ídolo próprio, precisavam sentir um pouco desse sofrimento. Este é, enfim, o comportamento que desde de o início deste texto tento definir: a catarse. E quis, com a minha crônica, tentar separar a "genuína" da "de imitação".

Felicidade

Zeca Camargo

Eu gosto de pensar em um mundo onde as coisas, os desejos, as pessoas, as aspirações sejam maiores do que um tweet rancoroso. Por isso, faço o que sei melhor: escrevo. E escrevo sobre isso que vivi. E ganho em troca o privilégio de ter você aqui me lendo.

Se isso não é felicidade…

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