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Luís Carlos Miele

Produtor, diretor e ator, Luís Carlos Miele foi um dos nomes mais respeitados no meio artístico, por conta de seu grande talento. Conheça-o através das ideias, frases e opiniões.

31/05/1938 14/10/2015
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Que balanço faz da vida?

Miele

Brinco que só falta fazer Grease com a Bibi Ferreira! Profissionalmente, tive uma coisa que me foi favorável e outra desfavorável. Não tive um acabamento técnico para nenhuma das funções que ocupei. Fui produtor, diretor, locutor e agora, aos 70 e poucos, comecei a trabalhar como ator. Gostaria de ter tido mais know-how em uma dessas atividades. Pessoalmente, sou casado há 45 anos e tive uma vida feliz. Meu humor também deve ter contribuído para isso. E digo que só gostaria de ter feito dinheiro, jamais tive um tostão. O dinheiro me odeia. Eu gastei muito, me diverti, viajei e, por isso, tenho que continuar trabalhando para poder viver. (Em 2013)

Por que chegou a se afastar do TV?

Miele

Foi uma bobagem que eu fiz, o artista é muito inquieto. Não estava fazendo nada na Globo. Um dia, me escalaram para fazer uma figuração no programa do Jô Soares. Fiquei chateado, mas era bobagem, nessa mesma participação tinha Agildo Ribeiro, Flávio Silvino... A Manchete me fez um convite e eu saí da Globo. Na Manchete, dava 1 ponto de ibope. Fiquei alijado.

Gosta de atuar?

Miele

Gosto. É a primeira vez que eu atuo e não é o meu show. Então eu ainda estou estranhando um pouco a química do teatro. Ficar no camarim para voltar no final do segundo ato, não poder improvisar, não poder errar as deixas, isso eu custei a assimilar, mas acabei me acostumando.

Como foi fazer o programa Cocktail?

Miele

Um desastre. O Silvio Santos me chamou para fazer o programa, me mostrou a versão italiana que se chama Colpo Grosso. Eu pensei que podia driblar o Silvio, que ia misturar mulheres nuas com uma crônica do Rubem Braga... Gravei um primeiro programa colocando esses meus toques. Silvio me chamou e disse: "Você não entende nada de SBT, tem que fazer como o italiano, nada de jazz e literatura".

Foi difícil ficar mais de 20 anos sem um programa fixo?

Miele

Foi sofrido. E, na volta, percebi que a diferença técnica tinha se tornado gritante. Fui rodar uma cena com o José Wilker de O Brado Retumbante e tinha o cenário, que só tinha uma luz de abajur. Fui perguntar ao diretor: "Não vai montar a luz?". Ele me olhou com piedade e disse: "Não precisa. A câmera é digital, filma com a luz do abajur".

 

Atividade sexual

Miele

O Viagra acabou com essa dúvida. Ninguém mais se preocupa. Naturalmente, não tenho os mesmos olhares lascivos, de interesse e fascinações que eu tinha. Por falar nisso, lembro que meu grande tesão sempre foi Audrey Hepburn, que não tinha bunda nem peito!

Relação com o álcool

Miele

Já fui fã de bebida e já tive problemas com isso. Agora, paro quando quero e me sinto bem quando bebo. Mas não dá para fazer um espetáculo bêbado. Talvez desse quando eu tinha 40 anos. Agora, o porre dói no dia seguinte.

O que acha da nova geração de músicos?

Miele

Eu acho que isso é uma coisa parecida com música, mas não é música. É um investimento cultural mais simples, digamos assim. Eu acho que isso veio com esse processo atual, pelo qual o mundo está passando, da internet, dessa banalização cultural do erudito. Eu acho que não se pode reduzir o sucesso a três palavras – 'oi, oi, oi' – ou a uma frase – 'ai, se eu te pego'. Então eu não sei se isso é uma fase só. Eu não posso dizer que não gosto desse tipo de música. Eu só não me emociono.

Músicas de hoje

Miele

MPB e bossa nova são músicas feitas há 50 anos. E eu me pergunto se daqui a 50 anos a gente ainda vai ouvir as músicas de hoje. Não sei se elas vão resistir.

O que mais mudou na TV e no cinema?

Miele

Fiquei fora da televisão um certo tempo – o que me custa, porque eu adoro – e quando eu fui fazer "O Brado Retumbante", tinha uma cena na sala do meu personagem, que era o senador, aí nós demos uma passada no texto e o diretor falou assim: 'vamos gravar'. E eu falei: 'mas não vai montar a luz?'. 'Não, Miele. Já tem um refletor lá fora, um rebatedor. Essa câmera aqui se eu acender uma vela ela grava', disse o diretor. Não tinha refletor nenhum dentro do cenário e era um escritório fechado.
O cinema é impressionante. Fui fazer um longa-metragem francês e foi muito engraçado porque eu fui fazer um bicheiro e ele morava numa casa cheia de objetos de arte. E nós tivemos uma cena na favela sem luz nenhuma, só com a iluminação da câmera. Foi surpresa para mim. A gente fazia cinema com muita improvisação e tesão, porque não tinha dinheiro. Hoje o cinema brasileiro tem uma produção altamente profissional.

Novela

Miele

Vejo uma vez por semana (novela), que é quanto dura um assunto. Você liga segunda e na sexta está no mesmo assunto ainda. Mas sei que a novela tem que ser assim.