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Sônia Braga

Sônia Braga viveu a primeira Gabriela, em 1975, e sua atuação mais marcante nos últimos tempos foi no filme Aquarius. Além das indicações ao Globo de Ouro e ao Emmy, a atriz já esteve na lista de indicados da BAFTA. Nós separamos alguns pensamentos da brasileira para você conhecê-la melhor!

08/06/1950
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Respeito pelas mulheres

Sônia Braga

Tenho grande admiração por mulheres que sobreviveram ao câncer. Pelas mulheres, normalmente, tenho um respeito muito grande. Às vezes encontro mães na rua com um bebê no colo, outro maiorzinho do lado, e falo: “Você é meu ídolo”.

Tempos difíceis

Sônia Braga

A humanidade está sofrendo muito problemas incríveis deste século, e vamos ter de conviver com eles. Infelizmente, o Brasil começa hoje um processo que talvez nos leve a um caminho muito difícil. A todos nós, homens e mulheres.

Início da carreira nos EUA

Sônia Braga

O que aconteceu nos EUA foi que a indústria percebeu minha presença aqui e começou a me chamar. A primeira pessoa que me chamou foi o Bill Cosby. Eu não falava uma palavra em inglês e ele não estava nem aí. Me chamou pra fazer o programa e pronto.

Laço com o público brasileiro

Sônia Braga

Eu sempre gostei de fazer TV aberta por isso, porque eu sabia que nem sempre o telespectador tinha grana para ir ao cinema ou ao teatro. Sempre pensei nisso ao fazer minhas cenas, no público do outro lado. Eu detestava, na minha época, ouvir de atores "Ah, eu faço TV por dinheiro, eu gosto mesmo é de fazer teatro". Hoje as coisas mudaram.

Encarnando a personagem

Sônia Braga

Sempre tentei passar a ideia de que quando estamos fazendo um trabalho em cinema, não é uma personagem de livro, que não existe. É uma pessoa viva, respirando, é alguém vivendo ali. Ou seja, enquanto o ator estiver vivo, ele pode trabalhar, atuar. O que existe de ruim pro ator é o que existe de bom.

Transformação

Sônia Braga

Gosto quando recebo ordens. Gosto de ter alguém me dizendo a hora de dormir, acordar, almoçar, jantar. Se depender de mim, eu não almoço. Vou dormir a hora que quero e acordo a hora que quero. Ninguém manda em mim. Mas eu estou exatamente nesse momento de me transformar pra ser feliz. Porque eu sou criativa, posso produzir, mas me sinto mais das artes visuais do que atriz.

Fazer sucesso no exterior não é fácil

Sônia Braga

Na verdade, os americanos não têm problemas com estrangeiros no entretenimento, desde que sejam da Austrália ou da Inglaterra, falando inglês. Com hispânicos também não há problemas, contanto que sejam da Espanha. Os hispânicos que realmente criaram um momento no cinema daqui são espanhóis. Os mexicanos, mais os diretores e alguns atores e atrizes, também conseguiram certo sucesso aqui. Mas é só, o resto do mundo e da América Latina é quase inexistente... não há permanência.

Cinema para todos

Sônia Braga

Que tal a América Latina escrever mais papéis para os latinos? A gente desenvolver um cinema que seja uma indústria de verdade. Cinema é indústria. Temos que promover mais festivais no Brasil, que realmente atraiam público.

Envelhecer é natural

Sônia Braga

Qual a outra opção? Morrer. Se você não quer envelhecer, você quer morrer. Em relação a esta questão, tenho um mantra budista... A gente se distanciou tanto da natureza, em tantos aspectos. Quando a gente vê uma árvore bonita, pergunta: quantos anos tem a árvore? Alguém responde: “10 anos”. Aí vê outra árvore e alguém diz que ela tem 300 anos. A gente diz: “Nossa! Que coisa linda!”. Onde é que a gente perdeu este sentido em relação à natureza?

O lado feminino das coisas

Sônia Braga

Nunca tive filhos, mas vejo que a carga da mulher é muito forte. Não acho que falar disso minimiza, de maneira alguma, o lado dos homens. É que nós somos mulheres e discutimos mais a mulher, porque ficamos muito tempo no mundo sem um lugar. Fomos rainhas sem direitos.

“Aquarius”

Sônia Braga

É uma imagem um pouco burguesa, mas de todo modo é simbolicamente bonito. E é verdade. Veio para mim no momento em que eu precisava. Estava sem voz, sem veículo. Só no Facebook não dá, né?

Direito das mulheres no Brasil

Sônia Braga

Acho que isso é no mundo todo. Se você pensar na mulher, no direito de estudo, no direito da palavra, os direitos da mulher têm de ser revistos. Acho incrível mesmo que a gente esteja vivendo no século XXI, porque para mim tudo isso é um absurdo. É interessante ver como nos últimos anos a mulher progrediu bastante na sociedade, mas ela ainda não alcançou o status de ser humano.

Falta de investimento infantil

Sônia Braga

Somos um país que não toma conta de suas crianças, que não toma conta do berço. E, como se costuma dizer, tudo vem mesmo do berço. Não adianta você querer que uma criança comece a ler com 15 anos de idade, se ela não tem disciplina para isso? A grande preocupação da minha vida são as crianças.

Morando nos EUA

Sônia Braga

Quando eu vim pros Estados Unidos, eu fui ficando. Aliás, eu fui ficando porque me convidaram para trabalhos aqui. Se tivessem me convidado pra ir pra China, eu teria ido pra China.

Tudo na sua hora

Sônia Braga

O trabalho do ator é viver a vida. Estar na vida, presente, sabendo do que está acontecendo. Eu não sou acadêmica, então essa é forma que sei ser atriz: você vai vivendo a vida e quando está pronta, alguém te chama para trabalhar.

Relação com o cinema

Sônia Braga

Minha relação com o cinema brasileiro é outra realidade. Como não atingiu ainda o nível que merece, muitos trabalhadores se esforçam para que isso aconteça. E como é cinema independente, é diferente também.

Atriz e fotógrafa

Sônia Braga

Eu era muito tímida em relação à fotografia e foi a Paula Lavigne que me ajudou com isso. Eu sempre fotografei, mas era muito tímida, precisava talvez de alguém que me mandasse fazer isso, sem medo.

Família

Sônia Braga

A última vez que recebi um toque foi quando cheguei do colégio com meu boletim, aos nove anos, e entreguei pra Zezé, minha mãe, que me disse: "Filha, daqui pra diante, esse boletim é seu, a mamãe não pode mais tomar conta disso". Ela trabalhava 24 horas por dia, porque ela tinha sete filhos pra sustentar e meu pai não tinha "o direito" de ter morrido.

As duas facetas de Sônia

Sônia Braga

Na realidade, existem duas Sônias. Existe a pessoa que eu sou e existe a que vai para a première. Eu jamais me apaixonaria por esta última porque ela é outra. Se a pessoa se apaixonar por mim e por ela, ao mesmo tempo, não vai funcionar.

Por quê ingressou no mercado internacional

Sônia Braga

Não me lancei propositalmente no mercado internacional. O fato é que eu ia filmar Eu Sei que Vou Te Amar com o Arnaldo Jabor. Estava tudo certo, já tínhamos até trabalhado no roteiro. Achei ótimo porque fiquei com tempo e decidi fazer algo que nunca tinha feito na vida: estudar inglês.